sábado, 29 de dezembro de 2012

Poemas de Dezembro












"Poemas de Dezembro" publicados em Releituras.
Sempre Drummond!

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.

(Dezembro de 1968)

Uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.

(Dezembro de 1973)

Fazer da areia, terra e água uma canção
Depois, moldar de vento a flauta
que há de espalhar esta canção
Por fim tecer de amor lábios e dedos
que a flauta animarão
E a flauta, sem nada mais que puro som
envolverá o sonho da canção
por todo o sempre, neste mundo

(Dezembro de 1981)

Quem me acode à cabeça e ao coração
neste fim de ano, entre alegria e dor?
Que sonho, que mistério, que oração?
Amor.

(Dezembro de 1985)

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Palavras ao Vento

Palavras ao Vento, uma composição de Marisa Monte e Moraes Moreira, interpretada pela inesquecível Cássia Eller.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pablo Neruda

As uvas e o vento


Pablo Neruda

...Tu perguntas o que a lagosta tece

Lá embaixo...
Com seus pés dourados.
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera,
em sua veste transparente?
Está esperando pelo
tempo, como tu.
Quem as algas apertam
Em seu abraço... perguntas...
Mais firme que uma hora e
Um mar certos? Eu sei.
Perguntas sobre a mesa
Branca do narval...
E eu respondo cantando como
Unicórnio do mar, arpoado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei
Pescador...
Que vibrou nas puras
Primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano
Sabe isto: que a vida...
Em seus estojos de jóias,
É infinita como areia,
Incontável, pura; e o tempo,
Entre as uvas cor-de-sangue...
Tornou a pedra dura e lisa,
Encheu a água-viva de luz...
Desfez o seu nó, soltou
Seus fios musicais...
De uma cornucópia feia
De infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos
Olhos humanos na escuridão...
E de dedos habituados à longitude
Do tímido globo de uma laranja.
Caminho, como tu, investigando
A estrela sem fim...
E em minha rede, durante
A noite, acordo nu.
A única coisa capturada
É um peixe...
Preso dentro do vento
Investigando a estrela sem fim...

domingo, 9 de maio de 2010

MÃE

De Mário Quintana
Mãe

Mãe!São três letras apenas
As desse nome bendito:
Três Letrinhas e nada mais...
E nelas cabe o Infinito.
E  palavra tão pequena
- confessam mesmo os ateus –
É do tamanho do céu!
E apenas menor que Deus...




LILI INVENTA O MUNDO
Mario Quintana
Il. Suppa
Editora: Global